Conheça Fagner Pinheiro, um dos funkeiros do CD do Caldeirão do Huck da Globo

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Fagner Pinheiro, uma dos funkeiros mais conhecidos do Rio de Janeiro, concedeu uma entrevista exclusiva para o Coluna da TV. Na entrevista fala de suas músicas de sucesso e toda sua trajetória profissional.Confira a entrevista na íntegra:

CTV::Como e quando tudo começou ?

FP:Eu comecei cantando Samba já profissionalmente em Petrópolis, região Serrana do Rio, cidade para onde me mudei aos 12 anos. Minha história na música teve início ali. Eu cantava pagode e samba em bares e casas noturnas, abrindo shows de artistas já famosos como Belo, Pique Novo, Sorriso Maroto, Pixote entre outros, mas não passava disso. As oportunidades em cidades pequenas são mais difíceis, por isso resolvi procurar um empresário na capital. Comecei mandar e-mails, ligar para os escritórios, até que um me respondeu , Claudinho Menezes, meu primeiro empresário. Começamos minha divulgação com uma música linda por sinal, chamada “Vendaval” (Pagode). Nesse período, como o Claudinho era empresário de Funk, eu tinha um amigo que cantava funk, daí fiz uma música para ele cantar e o apresentei para o meu empresário, pra ver se ele podia também ajudá-lo. Levamos isso para a Furacão 2000 para meu amigo gravar. No estúdio, na hora de fazer o vocal da música “no vai e vem do funk” ele não conseguia cantar, achei aquilo estranho porque já tinha ouvido um CD dele e a voz era bastante diferente, dentro do estúdio não saía nada (risos), aí fui  cantar a música para ensinar ele. O ‘DJ Batutinha’ produtor da FURACÃO na época, nos chamou em canto e disse para eu e para o Claudinho Menezes: “Acho que o Fagner que deveria gravar esta música”. Poxa! mas sou do samba, pensei eu. No fundo, me amarrei na ideia, afinal, eu curtia muito os bailes funks. Estava emocionado ali no estúdio da Furacão, nunca havia tido uma oportunidade dessas, era um sonho de infância. O ritmo funk sempre esteve presente na minha vida. Sou fã declarado de Claudinho e Buchecha e queria ser igual a esses caras.
Meu amigo por fim gravou, fomos embora com a música pronta, mas aquilo não saía da minha cabeça, a voz dele estava estranha. Claudinho começou a divulgar a música do cara até que um dia meu telefone toca. Eu trabalhava como propagandista na Rua Teresa em Petrópolis, ele mandando eu ir urgente na casa dele, eu e o tal amigo que o apresentei. Chegando lá, haviam dois caras, um com violão e outro com a cara amarrada ‘Naldo e Lula’ (o Naldo Benny), pediram para o garoto cantar as músicas do tal CD que ele havia entregado para o Claudinho, as que tinham me mandado dizendo que eram dele, não era. Ele mentiu pra mim, a música era do Naldo e Lula (risos). Foi hilário porque Naldo e Lula se passaram por diretores de gravadora e falaram que estavam ali para contratá-lo, mas na verdade eles queriam saber o porque ele fez aquilo. Depois dessa não teve jeito, Claudinho me levou de vez para o funk (risos). Regravamos a música desta vez na minha voz e ela começou a tocar na rádio da Furacão 2000.

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Fagner Pinheiro com Naldo Benny

CTV: Qual sua relação com a Furacão 2000 hoje?

FP: Minha relação com a Furacão 2000 sempre foi boa e de muita gratidão ao Rômulo Costa, afinal, ele abriu as portas da sua conceituada empresa para mim. Participei de 4 DVDs da “Fura” – “Gata da favela” DVD (Tsunami 2) / “To Gamadinho” (DVD Top Furacão – as mais tocadas) / “Top do Baile” (DVD Armagedom) / “RaÍnha da Vibe” (DVD Funk de Verdade).
Todos lá sempre me trataram super bem, com respeito a minha pessoa e ao meu trabalho. A Furacão 2000 junto com o Claudinho Menezes me deram a oportunidade de realizar um grande sonho, e através do Funk eu pude viajar por diferentes lugares, cidades e estados desse nosso Brasil maravilhoso. Minhas músicas tocaram muito em Minas, São Paulo, Espírito Santo, Porto Alegre. Fiz muitos bailes com a Furacão e até hoje colho frutos desta parceria que foi marcante na minha história. Sou grato demais a Furacão 2000.

CTV: Fale um pouco de você:

FP: É sempre complicado falar da gente mesmo não é? Tenho 14 anos de carreira, sendo 10 no funk.
Sou um cara aficionado por música. É minha paixão! Respiro música 24 horas por dia. Acabei de lançar um projeto direcionado às redes sociais e YouTube chamado “FP acústico”, onde canto minhas músicas só com voz e violão, o que já é uma parada diferenciada no funk e falo um pouco da história de cada uma delas. Está bem legal e o público pode conferir no meu site, www.fagnerpinheiro.com
São vários episódios nessa ideia do acústico, além é claro, da minha nova música de trabalho, a “Delícia de Novinha”, que graças a Deus, está tendo um desempenho muito bom, principalmente na internet. Já penso em ir para o estúdio logo produzir coisa novas, pois considero que estou numa fase boa de inspiração e entusiasmo, querendo realmente surpreender aqueles que curtem o bom funk carioca. Em breve vai chegar mais coisa boa por aí.

CTV: Além de Gata da Favela, quais são seus outros sucessos ?

FP:’Gata da Favela’ foi a que realmente mudou tudo pra mim, mas além desta, fiz outras composições que acrescentaram muito valor a minha discografia, a exemplo de ‘Tô Gamadinho’ (DVD Top Furacão – Só as melhores), foi bastante explorada essa música! Teve a ‘Top do Baile’, outra que saiu em material da “Fura” (DVD Armagedon). ‘Rainha da Vibe’ que é uma música linda e que tocou muito nos bailes do Brasil a fora, faixa do DVD Funk de verdade FURACÃO 2000. ‘Batom Vermelho’ que foi campeã de downloads na internet e bem executada nas rádios. ‘Demais’, essa saiu no DVD do Dennis DJ (Elementos do Funk) e por fim a ‘Delícia de Novinha’ que estamos trabalhando, essa já vai pra mais de 200 mil visualizações no YouTube.

CTV: Como você foi parar no CD do Caldeirão Do Hulk?

FP: Através do DJ Marlboro. Foi quem me deu a oportunidade incrível de estar no CD do Caldeirão, lembro como se fosse hoje. Meu telefone tocou e era o Marlboro me dando a feliz notícia de que minha música ‘Gata da Favela’ tinha sido selecionada para entrar no CD do Caldeirão do Hulk e ainda no CD Funk Brasil do próprio DJ Marlboro, ambos saíram pela Globo/Som Livre, isso  deu uma nova projeção pra minha carreira no funk.

caldeirao do huck

CTV: Já esteve com o Luciano Hulk ? É fã dele ?

FP: Não, nunca estive. Conversava muito com o Maestro Billy , que era DJ do programa, ele tocou minha música lá algumas vezes e entrei em contato para agradecê-lo, ai passamos a nos falar sempre. Cara super gente fina por sinal! Gosto muito do Luciano Hulk, acompanho há anos o trabalho que ele faz na TV e sempre tô ligadinho no programa. Além de entreter, tem o lance da responsabilidade social que é algo que prezo pra caramba. O Luciano ajuda muitas pessoas. O povo brasileiro no geral é muito judiado, muito sofrido. O Brasil precisa mesmo de ações em programas como este, o Luciano Hulk está fazendo a parte dele e com certeza merece nossos aplausos e nossa audiência.

CTV: Como você visualiza o Funk na atualidade ?

Uma das coisas que me faz amar o funk é justamente a sua capacidade de se renovar sempre. Quando todo mundo acha que o movimento está enfraquecendo, caindo ou perdendo espaço na mídia, vem um MC, um DJ, um produtor e joga tudo lá em cima de novo com algum diferencial. O tempo inteiro, nós artistas deste segmento estamos buscando formas de nos reciclar e oferecer algo novo para o público. O funk veio das comunidades, sofríamos um preconceito danado, além da falta de recursos, tudo era meio que amador , alguns gravavam no seu próprio estúdio num quartinho de casa, os artistas mesmos que se divulgavam, poucos empresários no segmento e que mal sabiam cuidar da carreira dos seus agenciados, por causa disso muitos MCs não conseguiam se manter ou levantar. A grande maioria não tinha o menor conhecimento em relação a várias coisas como direito autoral, registro de música, execução pública, fonograma, edição, etc. Hoje está mudando, os empresários estão super antenados com todas as ferramentas do marketing e sabendo arquitetar bem os planos de carreira para os artistas, inclusive nas partes burocráticas. Os MCs na batalha de aprimorar sua arte, uns até investindo em técnica vocal, com uma preocupação maior com sua carreira, a galera investindo dinheiro em clipes mais bem feitos, coisa de qualidade mesmo!
Usando e abusando das redes sociais que é algo que inegavelmente fez o funk ganhar o Brasil até nos cantos mais improváveis. Claro que ainda temos que evoluir muito, mas estamos caminhando. A turma deste meio não para nunca, não se permite estacionar. O MC geralmente é um sujeito bastante persistente (risos). Já está provado, funk não é só um tal ritmo contagiante que não deixa ninguém parado, muito menos é modismo ou coisa passageira. Funk agora tem importância até na economia, pois movimenta  alto e gera milhares de empregos diretos e indiretos, especialmente aqui no Rio. Funk é meio de sustento para várias famílias. Cria oportunidades para jovens e adolescentes que antes não tinham nem o direito de sonhar, agora os moleques pegam uma caneta e rimam letras. Meninos que poderiam estar no tráfico começam enxergar no funk uma alternativa pra mudar sua vida, serem mais felizes e dar orgulho para pai e mãe. Antigamente os guris queriam ser Jogador de futebol, hoje quando você pergunta o que eles desejam ser, a resposta tá na ponta da língua da maioria; _ “quero ser MC ou DJ de funk, quero ter minha produtora, lançar batidão”. Isso me emociona sabe, porque somos referência pra muitos destes jovens, ao mesmo tempo é uma responsabilidade danada, temos que passar para eles algo de valor. Entendo que muitos funks pegam pesado na questão da sensualidade e outras coisas que a sociedade não aprova, por isso temos que melhorar neste sentido, principalmente em relação as letras. Voltar um pouco para aquela inocência e a coisa lúdica e melodiosa de MC Marcinho, Claudinho e Buchecha, Teko e Buzunga, MC Sabrina e MC Cacau. O mundo anda meio esquisito, então colocar um pouco mais de amor e sentimentos saudáveis nas letras não nos fará mal, pelo contrário, o funk vai é conquistar mais gente ainda. O segredo é aprender a escrever melhor, porém mantendo a característica de fazer a galera dançar. Vários artistas estão conscientes disto e dão vida a histórias legais em suas músicas. Eu sou 100% funk carioca, isso tem cara de Brasil e tenho orgulho de fazer parte disso.

CTV: Além do Funk você canta outros estilos também ?

FP: Hoje só canto Funk , mas já fiz um bom passeio por outros gêneros musicais como o sertanejo, samba e pagode. A questão é que o funk é o que realmente me faz sentir vivo e me move, um estilo que emociona toda a juventude, a galera chega junto, se joga de verdade.

CTV: Qual a ligação que você tem com MC Leozinho, já que seus estilos são bem parecidos, você buscou isso? Ou eles foram na sua ”vibe” e buscaram igualar o mesmo hit da batida?  Suas, músicas são bem parecidas.

FP: No início da minha carreira eramos do mesmo escritório, e no CD de divulgação da produtora, tinha as minhas músicas e as dele, então isso de certa foram me influenciou sim, eu escutava o CD o dia inteiro, afinal aquele foi o primeiro de divulgação que a minha música entrou. Sempre busquei cantar aquilo que eu gostava, minhas referências vem do melody, artistas como Marcinho, Koringa, Sapão, Buchecha, Naldo e Lula e claro, Leozinho. são caras que deram e dão contribuição importantíssima para o cenário funk e que marcaram toda uma geração também.

CTV: Quais são os seus novos projetos ?

FP:O foco agora é continuar trabalhando a música intitulada ‘Delícia de Novinha’ e no mês que vem pretendo voltar ao estúdio pra elaborar já arranjos para mais um lançamento, que se Deus quiser, promete. Tenho escrito algumas letras e tô naquela vontade de chegar chegando entende. Não gosto muito de falar das coisas antes delas acontecerem, mas é isso aí. Sempre peço ao público pra ficar conectado, seguindo minhas redes sociais como face, Instagram e o site www.fagnerpinheiro.com pra não perderem nenhum detalhe novo de minha carreira. Em abril faço um mini tour no Espírito Santo e tenho shows agendados no Rio de Janeiro
Estou numa parceria muito boa com um escritório em Minas Gerais, a Oportuna Promoções & Eventos do empresário Júlio Oliveira que cuida da parte de relações públicas pra mim e pretendemos organizar uma turnê lá no seu estado a partir do segundo semestre deste ano. Ainda em 2017 pretendo atingir também o nordeste do país. Já mantenho negociação com divulgadores e representantes de lá.

Aproveito o ensejo para agradecer a oportunidade de poder falar um pouco da minha história aqui no Coluna da TV. Muito obrigado ao Andreh Gomez pelo convite. quero agradecer também toda a minha equipe, que com dedicação me dá suporte para ir além.

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